Notícias – Meio Ambiente e Agricultura - 11/04/2011 08:05
Coleta seletiva em Aracaju é insuficiente

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| Mais de 85% do lixo domiciliar é reciclável (Foto: Marina Fontenele) |
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| “Separar o lixo é mais fácil do que se imagina”, afirma Adenilde Gama (Foto: Marina Fontenele) |
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| Aracaju reaproveita menos de 30% do lixo que produz (Foto: Ivve Rodrigues) |
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| Material é prensado e revendido para empresas de reciclagem (Foto: Ivve Rodrigues) |
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| O Cinform também se preocupa com a preservação do meio ambiente (Foto: Arthur Soares) |
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Por Marina Fontenele
Ainda tem gente que acredita que o descarte consciente do lixo é bobagem e problema exclusivo do poder público. Engana-se quem pensa assim e não se preocupa em selecionar os materiais que poderão ser reaproveitáveis.
O Cinform Online perguntou se o internauta separa o lixo orgânico do reciclável. Das 101 pessoas que responderam, 39,6% disseram que não tem interesse nesse assunto, 31,68% deram exemplo e afirmaram “faço a minha parte e mando o lixo reaproveitável para a reciclagem” e outros 28,71% têm interesse em participar da coleta seletiva, mas não sabem como.
A sociedade moderna está mais atenta à preservação do planeta, mas a consciência pesou tarde demais. Séculos de poluição, desmatamento e exploração desenfreada de recursos naturais já causaram danos irreparáveis, mas ainda há tempo de desacelerar essa destruição feroz e contínua do meio ambiente.
Uma prática simples e eficiente é a separação e correta destinação dos resíduos recicláveis. A maioria do lixo domiciliar é composta por materiais que podem ser reaproveitados. Mas como separar tantos produtos diferentes?
É bem simples. Em locais onde há lixeiras específicas, o material deve ser descartado conforme a orientação dos depósitos. Onde esse recurso não é possível a dica é utilizar um reservatório de lixo somente para resíduo seco e outro para o orgânico (restos de alimentos).
O papel, plástico, vidro e alumínio são os mais fáceis de organizar, basta estarem limpos e secos. Já os papéis higiênico e carbono, guardanapos, fraldas e adesivos não são recicláveis.
As pilhas, baterias contém substâncias nocivas ao organismo e por isso devem ser descartadas em postos de coleta geralmente localizadas em bancos, supermercados e lojas de telefonia móvel.
A melhor forma de eliminar equipamentos eletrônicos é ligar para o fabricante do produto, que deve se responsabilizar pela destinação correta, e pedir orientação. Já o óleo de cozinha deve ser colocado dentro de uma garrafa pet e depositado em algum ponto de coleta, ele poderá ser transformado em detergente.
Em Aracaju esse processo é facilitado pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos – Emsurb – que desde julho de 2001 faz a coleta seletiva. “Nosso objetivo é simplificar ao máximo esse processo. Para não deixar dúvidas a gente orienta colocá-los na mesma sacola porque na cooperativa eles fazem a separação”, a coordenadora da assessoria técnica da Emsurb, Adenilde Gama Alves.
AINDA É POUCO
O programa de Programa de Coleta Seletiva de Resíduos Inorgânicos atende hoje, apenas 22 mil residências da capital, o equivalente a 30% do lixo domiciliar da cidade que é de 120 toneladas por mês. Esse material é doado para a Cooperativa de Agentes de Reciclagem de Aracaju – Care –, localizada no bairro Santa Maria, é única cooperativa habilitada a receber o material coletado.
“Do total recolhido, mais da metade é descartado por estar contaminado com o rejeito orgânico. As pessoas têm que ter consciência e separar direitinho e não colocar o lixo comum em depósitos coletores de recicláveis”, afirma Adenilde.
Ela reconhece que ainda é pouco, mas que novas ações estão sendo executadas para aumentar a abrangência do programa de coleta. Aracaju descarta diariamente 450 toneladas de lixo domiciliar e outras 435 toneladas de entulhos. Sem a correta destinação, esses rejeitos se acumulam em aterros sanitários e terrenos baldios que a depender do produto pode chegar até 1 milhão de anos para se decompor.
Na última festa de reveillon, a prefeitura lançou a campanha educativa ‘Eu preservo, sou cidadão’ numa tentativa de manter a cidade limpa e reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte irregular dos resíduos sólidos.
LIXO RENTÁVEL
Cerca de 40 cooperados da Care fazem a separação, prensa e revenda do lixo arrecadado por doações. O valor é dividido entre esses trabalhadores.
Os carroceiros que andam pelas ruas, principalmente nos centros comerciais, são vistos com frequência revirando lixos em busca do sustento da família. É um trabalho insalubre e o que ele arrecada, revende para empresas privadas especializadas em reciclagem. Quem preferir também pode doar diretamente para eles.
Já as grandes lojas e supermercado preferem vender o lixo para empresas de reciclagem. O gerente do galpão de uma empresa que compra papelão, ferro e plástico não revela quanto paga e nem por quanto revende os recicláveis, mas garante que o negócio vale a pena embora o preço no mercado oscile bastante. “A produção mensal de papelão é de 500 toneladas, de papel branco 150t, ferro mais 500t e de plástico é 120t”, informa José Cabral.
O Cinform revende as aparas do jornal para uma empresa que tritura o papel e aproveita no transporte de pintinhos para granjas. Antes a serragem de madeira era utilizada, mas acabava machucando os bichinhos.
ONDE LEVAR
Dois caminhões da Emsurb e dois da Care passam uma vez por semana em 26 Pontos de Entregas Voluntárias – PEVS – espalhadas nos bairros Cirurgia, Luzia, 13 de Julho, Getúlio Vargas, Inácio Barbosa, São José, Jabotiana, Grageru, Siqueira Campos e a Zona de Expansão.
Órgãos públicos, empresas privadas, hotéis, condomínios e escolas participam dessa iniciativa. Mas a doação individual e voluntária é de extrema importância uma vez que a coleta só é possível com a iniciativa popular.
Contribuir com a coleta seletiva e a reciclagem desses materiais reduz os problemas ambientais, protege o sistema de drenagem urbana, evita alagamentos, otimiza o uso de energia e combustíveis, aumenta a vida útil dos aterros sanitários, possibilita a geração de empregos diretos e indiretos, além de melhorar as condições de saúde da população.
Para participar desse processo, você pode ligar para a Emsurb (79) 3179-7001 e solicitar a visita de um técnico que dará palestra educativa no seu condomínio, empresa ou escola. E se necessário, irá elaborar um programa de educação ambiental para a inserção do bairro no calendário de coleta seletiva.
Veja abaixo o itinerário dos caminhões de coleta:
- Conjunto Bela Vista e bairro Cirurgia, segundas-feiras, às 7h;
- Conjunto Beira Mar I e II, segundas-feiras, às 10h;
- Conjunto Médici e Jardim Baiano, segundas-feiras, às 13h;
- Bairro Getúlio Vargas, segundas-feiras, às 14h;
- Hotéis, escolas e postos de saúde do bairro Santa Maria, segundas-feiras, às 15h;
- Órgãos públicos, terças-feiras, às 7h;
- Bairro 13 de Julho, terças-feiras, às 14h;
- Conjunto Inácio Barbosa e bairro São José, quartas-feiras, às 7h;
- Bairro Jardim Esperança, quartas-feiras, às 10h;
- Loteamento Parque dos Coqueiros/Beira Rio e residenciais dos bairros Aeroporto e Aruana – PAR, quartas-feiras às 14h;
- Secretaria do Estado da Fazenda, quintas-feiras, às 8h;
- Casas de materiais de construção, quintas-feiras, às 14h;
- Conjunto J. K./Sol Nascente e Santa Lúcia, quintas-feiras, às 7h;
- Bairro Jardins, quintas-feiras, às 7h;
- Bairro Grageru, quintas-feiras, às 14h;
- Hotéis, escolas e postos de saúde do bairro Santa Maria, quintas-feiras, às 15h;
- Bairro Siqueira Campos, sábados, às 8h.
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